13 de maio: o silêncio entre a lei e a liberdade

Treze de maio de 1888 é frequentemente lembrado como o “Dia da Abolição da Escravatura”; afinal, com a assinatura da Lei Áurea, o Brasil deu um passo significativo no combate aos mais de 300 anos de exploração do suor e do sangue alheios no país. Impossível não lembrar aqui de nomes como os de José do Patrocínio, Princesa Isabel, Castro Alves, Luiz Delfino e tantos outros que estiveram à frente na luta contra esse império vergonhoso do comércio de carne humana.

Embora se trate, em suma, de um ato jurídico tardio e sem medidas reparatórias, é importante revisitar a famosa data para fazer uma reflexão crítica sobre os séculos de violência institucionalizada, os quais ainda ressoam em nossa sociedade. O que mudou daqueles tempos para os atuais? Antes, tínhamos os quilombolas, as fugas em nome da liberdade, as excessivas horas de trabalho; hoje, ainda, apesar de alguns avanços, persiste a exploração da “carne fraca”, como vemos nos trabalhos forçados em nível semelhante àqueles praticados em séculos anteriores, nos tempos da escravidão.

Os textos que se seguem — um anúncio verídico de venda de uma mulher escravizada e seu filho, um poema contemporâneo inspirado nesse documento e o poema A Escrava, de Fagundes Varela — nos colocam diante do abismo entre a letra da lei e a realidade vivida por milhões de pessoas negras escravizadas.

O anúncio, impresso com a frieza burocrática dos jornais da época, transforma vidas humanas em mercadoria, revelando a normalização do horror. A poesia moderna, por sua vez, devolve o grito sufocado dessas vítimas, ironizando e denunciando o cinismo do sistema escravocrata. Já o poema de Varela, escrito ainda no século XIX, humaniza a dor com lirismo e compaixão, antecipando vozes abolicionistas em meio a um país que hesitava em romper com suas raízes mais cruéis.

Neste 13 de maio, portanto, não basta lembrar a libertação formal: é preciso dar nome às dores, voz às vozes silenciadas e memória aos esquecidos. Que a leitura desses textos seja um ato de escuta e de reparação simbólica. Que sirvam como um convite para reconhecer que o racismo estrutural, herança direta da escravidão, ainda exige de todos nós uma postura ativa na construção de uma sociedade realmente livre, justa e igualitária.

POESIAS

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