Falar de Fagundes Varela é retomar o nome e a obra de um dos poetas mais representativos da literatura brasileira. Luiz Nicolau Fagundes Varela nasceu em 1841, na Fazenda Santa Rita, em Rio Claro (RJ), e faleceu em 1875, em Niterói. Seu percurso literário, iniciado nos tempos em que foi aluno da Faculdade de Direito de São Paulo, revela uma alma inquieta, ora contemplativa, ora desiludida, em permanente tensão com o mundo e consigo mesma.
Sua obra, extensa e multifacetada, abrange elementos das três gerações românticas pelas quais o poeta passou. Ela inclui teatro, prosa, conto, crônica e poesia, sendo nesta última que se concentra o que há de mais refinado em sua produção. Entre seus livros de poemas mais importantes, destacam-se Noturnas (1861), Vozes da América (1864), Cantos e Fantasias (1865) e Cantos Meridionais (1869).
A graça de sua poesia lírica, revelada tanto na forma quanto no conteúdo de seus poemas, logo chamou a atenção da crítica especializada, representada por nomes como Machado de Assis, José Veríssimo, Sílvio Romero e Antonio Candido, que reconheceram em sua obra um lirismo intenso, repleto de delicadeza e vigor.
Nas leituras de sua obra, um título que frequentemente acompanha o autor é o de “cantor da natureza”. O apelido é justificado, pois, mais do que simples retratista de paisagens, o poeta soube transformar tanto os cenários naturais quanto os urbanos em metáforas vívidas de seus estados de alma. O desencanto, a esperança, a perda e a nostalgia estão todos ali, impregnados nas cores da natureza.
Essa poesia de Varela, que aborda tanto o campo quanto a cidade, constitui um convite permanente à reflexão. Ainda hoje, vemo-nos divididos entre o anseio pela simplicidade da vida natural e as exigências cada vez mais intensas da vida urbana.
A poesia de Varela continua sendo uma ponte entre séculos, mostrando que, tanto na cidade quanto no campo, existem complexidades, com seus próprios desafios e encantos. A busca por equilíbrio entre esses mundos permanece uma questão relevante na atualidade.
Assim, em um tempo em que se assiste ao crescente choque entre os espaços urbano e rural, com constantes discussões sobre a natureza e o meio ambiente, revisitar a poesia de Fagundes Varela é uma oportunidade para repensar criticamente esse problema, tanto no século XIX quanto nos dias atuais.
Teresinha.
