Passava muda e cauta Prestando atento ouvido, Pela azinhaga estreita, Ao mínimo ruído; Farrapos asquerosos Só tinha por vestido.
Serena, – vagarosa A lua caminhava, E a luz das mais estrelas Esplêndida ofuscava… – Febe! clareia o rosto Dessa infeliz escrava!
Talvez que das alturas Alguém a voz me ouvisse, Quando surpreso, aflito, Estas palavras disse; Talvez Satã no abismo, Hirto, convulso, risse.
Da núbia a escura filha Parou. – Quanta agonia No gesto, no seblante, Minha alma descobria!… Múmia de chagas vivas Seu corpo parecia!
Golilha férrea, angustia, Prendia-lhe a garganta – Sinistra parasita – Que arroxa humana planta!… Caia-lhe de um ombro, Rota, nojenta manta. O fogo da demência
Os olhos lhe queimava, Um estertor convulso O peito lhe agitava. Cristão! – falou, tem pena Desta erradia escrava.
– As chagas não curadas, O medo dos açoites Fazem-me errar, sem alma, Cristão, noites e noites!…